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Eu gostava de fazer os mapas de cada tela em um jogo

Eu gostava de fazer os mapas de cada tela em um jogo

Existiu uma época que pra saber como se passar uma fase em um jogo de videogame, conseguir uma dica ou truque, você precisava consultar uma revista de videogame ou um amigo que já tinha passado por aquilo. Não era simples como hoje, que é só procurar na Internet e você acha sites com todas as dicas, detonados (passo a passo de como passar um jogo até o final) e até vídeos mostrando como fazer determinada coisa em qualquer jogo. Nesta época todo bom jogador tinha que ter o seu Caderno de Truques.

Tenho certeza de que a maioria dos visitantes deste blog passou por isso acima, e não precisaria desta introdução neste artigo, mas escrevi isso pra todo mundo entender o contexto, até quem não viveu esta época fantástica. Sei que isso começou antes e se estendeu um pouco mais também, porém a época de ouro do Caderno de Truques foi entre 1990 e 1997, depois disso a Internet se popularizou e nada mais foi a mesma coisa.

A BÍBLIA DO JOGADOR

Destacava os itens, as entradas e as saídas

Destacava os itens, as entradas e as saídas

Ter um Caderno de Truques era mais do que uma forma de anotar dicas, era um jeito de provar que você era GAMER, é sério, um bom jogador que se presava tinha que ter um caderno de truques e quanto mais cheio de dicas, melhor. Geralmente eram dicas e truques de todos os sistemas, você anotava nele o que ia aprendendo, o que ia descobrindo, o que via em revistas de videogame e até o que via em cadernos de truques de amigos, o legal era anotar, registrar o que sabia e depois mostrar para os amigos, rolava até anotações de golpes de fliperamas, isso era divertido demais.

Representava os ícones e os itens

Representava os ícones e os itens

O caderno podia ser grande, pequeno, fino, grosso, capa dura, e etc., mas o importante era ter a sua cara. Tinha jogador que incrementava a capa, colava adesivos, fazia colagem com recortes e até desenhava, a criatividade era o limite. E esta criatividade se estendia pra dentro do caderno também, onde você encontrava anotação em texto simples, mas podia também ver anotações com diversas cores de canetas para dar o destaque apropriado pra cada parte do texto, e também desenhos, ilustrações e notas que deixam aquilo com cara de um verdadeiro detonado de revista de videogame.

Sabe uma coisa bem legal disso tudo? A criançada escrevia, traduzia os jogos, diálogos, menus e o que viam pela frente, faziam anotações no formato de passo a passo e com isso surgiam verdadeiras redações e textos elaborados. Ta certo, eu sei que na maioria das vezes não havia preocupação com a correção gramatical e muito menos com a narrativa, mas o que isso importava? As crianças e adolescentes estavam escrevendo, isso era fantástico, não era? Nunca vi nenhum veículo de comunicação dando destaque para este ponto que foi tão importante relacionado aos jogos de videogames.

UM VERDADEIRO TROFÉU

Descrevia a jogo e contava a sua história

Descrevia a jogo e contava a sua história

Escrevia centenas de páginas, literalmente

Escrevia centenas de páginas, literalmente

E como se não bastasse, o Caderno de Truques não se limitava apenas aos truques e dicas, existia a famosa e respeitada lista de jogos que você já tinha terminado (ou detonado, zerado, acabado, fechado, finalizado, independente do termo, era a lista de jogos que o jogador já tinha jogado do início ao fim, com sucesso). Esta lista geralmente ficava nas últimas páginas do Caderno de Truques e era o seu troféu, páginas sagradas que você adorava mostrar para amigos e outros jogadores para provar que era bom, e não adiantava mentir escrevendo ali o nome de um monte de jogos que nunca tinha terminado, pois ao mostrar uma lista dessas para alguém a primeira coisa que acontecia era começar a falar sobre partes do jogo e comentar o final, não tinha jeito de pagar de bonzão sem ser, a galera era esperta e isso era justo.

E aquela história de que criança não gosta de “passar a lição a limpo” quando não ia um dia pra aula? Essa teoria se acabava toda vez que era possível comprar um caderno novo e maior pros seus truques, pois “passar a limpo” o Caderno de Truques era quase um prazer. Ali você mostrava que estava mais maduro, anotava coisas de forma mais organizada e tudo o mais, porque já se havia se passado no mínimo 1 ano, não é mesmo? (risos). Isso era engraçado. Quantas vezes “não dava tempo” de fazer a lição da escola pra ficar pendurado no videogame e no Caderno de Truques?

EU FIZ O MEU TAMBÉM

Traduzia até do Japonês, com dicionários

Traduzia até do Japonês, com dicionários

Falando de um lado pessoal agora, eu demorei pra ter os meus próprios videogames (por condições financeiras), mas sempre tive um Caderno de Truques, desde o Nintendinho. Eu anotava tudo que via pela frente, fazia meus próprios detonados, criava os meus passo a passo e registrava isso da melhor forma possível, com mapas, desenhos e traduções. Uma vez, durante o tempo em que eu passava férias na casa de uns primos no Jardim Rodolfo Pirani (São Paulo), um conhecido deles, que acabou virando meu amigo também, trouxe de carro TODAS as suas revistas Ação Games (acredito que era da 01 até a 60 ou 65) de uma única vez, pra eu poder copiar todas as dicas que conseguisse no meu Caderno de Truques. Isso foi incrível, passei dias sem sair de casa e escrevi praticamente as férias inteiras. Me pergunta se eu fiz alguma lição?

Desenhar era algo que eu fazia também

Desenhar era algo que eu fazia também

Mantive este ritual do Nintendinho até o Playstation (O primeiro, o PSX mesmo), pois daí em diante, além de não valer mais a pena por causa da Internet, eu já estava trabalhando e o tempo era curto demais, mas posso dizer que resisti bem, mantive isso até 1998/1999 quando eu tinha meus 15 /16 anos. Tanto que eu separei para vocês algumas fotos do que eu criava na época para meu Caderno de Truques, algumas destas fotos eu usei pra ilustrar este artigo e outras estão abaixo como álbum de fotos, eu criava centenas (isso mesmo CENTENAS) de páginas com passo a passo de jogos, eu traduzia menus que estavam em Inglês e até em Japonês, fazia desenho dos mapas, das telas, adorava fazer isso, mas mesmo assim era uma época em que eu vivia jogando bola na rua, soltando pipa nos finais de ano e andando de Roller (Patins in line), combinando minha vida NERD e normal, tempo bom demais.

E você, teve o seu caderno de truques? Comenta ai pra dizer como ele era!
Até a próxima.

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